Venho caminhando com muito medo, medo da vida. Medo do que é imposto para cada ser desse mundo. Nascer, crescer, reproduzir e morrer. Que vá a merda tudo isso! Por que não podemos ser apenas o que queremos? Por que você não me deixa ser o que eu quero ser?
Me arrasto a cada dia buscando migalhas de felicidade gratuita para não sucumbir de vez, para não mandar absolutamente tudo pra puta que pariu. Quero com todas as minhas forças que você vá a merda.
Me deixa ser o que eu quero, me deixa acordar todo dia sentindo a brisa calma acariciando meu rosto e fazendo a água do mar tocar a pontinha dos meus dedos. Me deixa cantar e dançar feliz, em qualquer canto que você não se fizer presente. Não se faça presente na minha vida!
É só um cansaço imenso que vem tomando conta do meu corpo, cansaço acumulado de 18 anos de engaiolamento.
Repito pra mim mesma todos os dias, bem baixinho, "sou livre, sou livre, sou livre", tentando amenizar essa certeza de que não sou livre enquanto viver nessas grades, acorrentada e largada. Me escondo na sombra de uma noite de luar em que os raios não podem me tocar. Você não pode me tocar.
Me desacorrenta, me deixa correr pra longe de você. Me deixa.
Yellow Ledbetter
domingo, 23 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Das cartas que eu não te mandei
Quantas vezes me pego pensando em você, pensando baixinho para ninguém mais escutar. Pensando em nossa casa repleta de jardineiras perfumadas na janelas, com balanços de madeira para os que ainda virão. Com bolo de coco molhado sobre a mesa coberta pela toalha de renda, e o aroma se misturando no ar com o cheiro da sua pele. Cheiro doce, que me faz ter vontade de lamber cada centímetro do seu corpo.
Deixar, mais uma vez, minha língua percorrer o calor do seu corpo. Sentindo o salgado do suor ao passar pelo seu pescoço e descer pela barriga. Barriga que se contrai ao sentir minha língua molhada deslizando, fazendo aparecer perfeitamente todos aqueles gominhos que me fazem perder o controle.
E logo depois vejo o arrepio vindo da nuca e se espalhando pelos braços, tronco e pernas.
Das cartas que eu não te mandei essa é a que me faz mais falta, falta do longo suspiro de relaxamento, seguido pelo sorriso mais lindo que meus olhos já puderam contemplar.
Deixar, mais uma vez, minha língua percorrer o calor do seu corpo. Sentindo o salgado do suor ao passar pelo seu pescoço e descer pela barriga. Barriga que se contrai ao sentir minha língua molhada deslizando, fazendo aparecer perfeitamente todos aqueles gominhos que me fazem perder o controle.
E logo depois vejo o arrepio vindo da nuca e se espalhando pelos braços, tronco e pernas.
Das cartas que eu não te mandei essa é a que me faz mais falta, falta do longo suspiro de relaxamento, seguido pelo sorriso mais lindo que meus olhos já puderam contemplar.
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